domingo, 15 de dezembro de 2013

Caves S. João — Reserva '2007

Lote clássico, composto por Baga da Bairrada e Touriga Nacional do Dão em partes iguais, este vinho passou um ano em barricas de carvalho francês antes de ser engarrafado. Abri a garrafa nº 8216 de 9530.

No nariz, a parte bairradina do lote aparentou dominar. Eram evidentes as marcas da Baga atlântica. Na boca, este carácter surgiu bem menos duro que o esperado, certamente por influência da parte "Dão" presente.

Muito fresco, impressionou pela forma como a fruta, séria e contida, nos antípodas do objectivamente doce, também se mostrou sempre cheirosa e sumarenta. De corpo, sem ser imponente, pareceu-me durinho e bem torneado.

Estava mais macio no dia seguinte, ainda sem indícios perceptíveis de oxidação, e mostrou umas sugestões interessantes de moca, mais evidentes no e após o fim de boca. Enfim, um muito bom vinho, agora e provavelmente daqui a dez anos.

7€.

16,5

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Caves S. João — Reserva '2000

É macio e delicado, mas tem vindo a manter-se firme, de tal forma que sem esconder a idade que tem, não me pareceu ter apresentado, mais uma vez, indícios notórios de que esteja para morrer já.

Cheirou a couro, café e folha de tabaco seca. Aromas marcadamente terciários que ainda não se sobrepõem ao cerne de fruta que envolvem, fruta negra bem transformada, com compota e azeitonas.

Esta foi a garrafa nº 17799 de 59048 produzidas e acompanhou um jantar simples, daqueles que preparo para mim quando tenho de ser eu a cozinhar. Codornizes seladas na panela e acabadas no forno e cogumelos shimeji salteados com molho de soja.

Dias depois provei o do post seguinte.

7€.

16

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Granja-Amareleja — Reserva '2011

O produtor terá renovado a sua presença na web, julgo.

Moreto, Alfrocheiro e Aragonês. Cheira a ameixa, passas, rama de tomateiro, tabaco, cacau. Coisas quentes, escuras, cheias de sabor mas nem por isso polpudas ou sumarentas.

Penso também lhe ter apanhado algo mineral, talvez terra seca, não tanto barro, borralha de azeite, como aliás encontro em tantos vinhos, pinho e álcool, a parte fresca, vagamente etérea, do bouquet.

E não custa nada a beber. O porte é mediano e a intensidade, satisfatória. Tem boa acidez, não é nada chato. Custa perceber a negatividade com que alguns falam dele.

10€.

16

sábado, 30 de novembro de 2013

Kirin Ichiban — Premium Press

Foi a S que a viu primeiro, ela gosta do Japão. E eu achei interessante, os japoneses, tão meticulosos, tão ciosos da ordem, do equilíbrio, certamente só farão má bebida quando quiserem. Também já tinha ouvido dizer umas coisas a respeito das cervejas japonesas, mais bem que mal, e assim lá convenci a S a comprá-la e guardá-la para um daqueles dias em que o jantar fosse mais a seu gosto.

Talvez por isso seja com alguma desilusão que constato tratar-se de apenas mais uma lager loira de perfil genérico. A sério. A empurrar uns amendoins e sementes de abóbora, bem tenho procurado encontrar-lhe algo que a destaque de uma sagres das mais correntes, nem que seja para tentar justificar a considerável diferença de preços que se verifica entre elas, mas não está a ser fácil. No cheiro, no toque, no sabor, parece-me, de todo, apenas mais uma pils comum, ainda que bem recortada, para beber em quantidade.

2,50€/33cl.

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Rinkadink — Rabbit From Darkside

Em vez de esperar para ter tempo ou vontade de fazer uma introdução à antiga, e assim tal nunca chegar a acontecer, como se tornou habitual, vou limitar-me a deixar aqui isto, na expectativa de que cause a alguém que ainda não conheça a impressão que me deixou quando o descobri.




Fica a nº 4, Cabbage al la Tetradink.

Saudades de ter tempo para o blog. Um dia pensei que ia conseguir ser uma pessoa interessante, e ter um blog fixe, como se importasse. Mas mesmo pouco importando, não é assim tão simples.

domingo, 24 de novembro de 2013

Pasmados '2009 (Branco)

Branco estagiado da Serra da Arrábida, diz no contra-rótulo resultar de uma mistura das castas Viosinho (52%) com Arinto (26%) e Viognier (22%), tendo metade fermentado em madeira e metade em inox, com posterior estágio de seis meses, com bâtonnage, em barricas de carvalho francês. Começar um post desta maneira é fácil, poderão argumentar alguns. Mas terá ficado assim tanto por dizer?

A cor desperta a curiosidade, palha, carregada, quase a tomar tons de chá. Servido da garrafa, e por isso quase sem arejar, desde logo se mostrou limpo, sem volátil ou qualquer outro tipo de cheiro duvidoso, fino, nem gordo nem magro, ligeiramente untuoso, e rico em sugestões mornas de fruta branca, madura, doce, evolução (nota-se que é um vinho com alguma idade, muito bem conservado) e um interessante toque abaunilhado, certamente da barrica, muito perfumado, muito interessante.

Mais tarde, já tinha bebido algum, apareceu banana seca e dragon fruit. A garrafa foi oferecida pelo produtor, que recomenda um PVP de 7,49€.

16,5

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Pasmados '2011

Faz tempo que não bebia um tinto da Península de Setúbal. Este vem da Quinta dos Pasmados, uma propriedade com 18ha situada na Serra da Arrábida, 5km a Oeste de Azeitão. Elaborado a partir das castas Syrah, Touriga Nacional e Castelão, envelheceu durante 9 meses em barricas de carvalho francês antes de engarrafado. Em jeito de curiosidade, lembro-me de já por aqui ter passado um antecessor seu, da colheita de 2007.

É um vinho simpático, generoso nas notas de morango e cereja em que se foca, com tons de barrica ainda não muito desenvolvidos, para já mais presentes na boca. Penso que vale a pena explicar melhor a observação anterior, a respeito da barrica. Há casos, parece-me, em que a madeira onde determinado vinho estagia se manifesta emprestando ao vinho cheiros e sabores de outras coisas, de tal forma que pode acontecer um indivíduo nem sequer ter a certeza de que certa sugestão aparentemente provinda da madeira tenha realmente sido contribuída por ela. Por outro lado, há vinhos em que a madeira por onde passaram evoca... simplesmente madeira. E este é um desses casos. Foi com agrado que notei ter aberto qualquer coisa ao almoço do segundo dia. Esteve então mais escuro e ainda mais generoso, com muitas notas de chocolate. Será difícil não gostar dele.

A garrafa foi oferecida pelo produtor, que recomenda um PVP de 8,99€.

16

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Ninfa — Sauvignon Blanc '2011

Monocasta Sauvignon de força e dimensões medianas, fresquinho, cremoso e indiscutivelmente mais maduro que os últimos exemplares da casta aqui publicados, surgiu repleto de cheiros intensos que me fizeram lembrar lembrar azeitona verde, caroço de pêssego, maracujá e o seu concentado em pó. Bem correcto, de um verde diferente do dos seus parentes mais setentrionais, é um vinho de coisas claras, fáceis de entender. No entanto, prefiro quando não fico com a impressão de ter percebido todo um vinho logo após os primeiros goles, mesmo quando isso implica acabar a garrafa e continuar sem saber ao certo o que pensar.

Produzido pela João M. Barbosa Vinhos, de Rio Maior, com uvas criadas em solos argilo-calcários, no sopé da Serra dos Candeeiros, foi engarrafado sem passar por madeira.

6€.

15,5