quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Encostas do Bussaco — Merlot '2010

Comprei este vinho por pura e simples curiosidade, num supermercado. Trata-se de um varietal Merlot, produzido pela Adega Coop. de Mealhada para a empresa que a explora desde Outubro de 2011, as Caves Avelar. O contra-rótulo não adianta informação a seu respeito e o Google não sabe dele. Abri a garrafa nº 417 de 1460.

Curiosidade porque apesar de modesto, é um verdadeiro vinho virtual. E não o provei, bebi-o devagarinho. A este respeito, cumpre dizer que viveu três dias, sempre de volta à porta do frigorífico uma vez terminada a refeição.

E agora aquela palermice que aqui traz muitos de vós, a prova, o que tal me pareceu. Acerca dessa, cada vez menos a dizer. Se falta vocação ou apenas paciência, o tempo o dirá. Mas cada vez mais me convenço de que não há floreado que iguale aquelas notitas simples, em bruto, tiradas no momento, quando ainda o faço. Já não me lembro da última vez que me deixei ficar a analisar um vinho, de papel e caneta, enquanto a comida arrefecia. Para quê?

Copy/paste, então, curto e grosso. Apesar da valente baforada de especiaria picante que se liberta do seu núcleo bem maduro, de fruta preta e doce, na boca, no máximo, será mediano. Falta-lhe qualquer coisa, mas é difícil dizer o quê. E se de forma alguma é um retrato típico da casta, também não creio que engane, nem mesmo às cegas.

7€.

15

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Sebadoh — Harmacy

O álbum é de 1996 e por isso podia perfeitamente ter feito parte dos meus early teens, mas tal nunca chegou a acontecer.

Se bem em recordo, foi MA, o indie kid da minha pandilha do xadrez, e mais tarde dos computadores, do IRC e dos blogues, quem mo deu a conhecer, bem como tantos outros.

Agora, todo este tempo depois, ando a ouvi-lo outra vez. É um belo conjunto de musiquinhas do dia-a-dia, mais ou menos disfarçadas. Esta Beauty of the Ride ilustra bem o que quero dizer.



Silence's like disease, but I dare not say it hurts / 'Cause if I honestly react, nothing's ever gonna work / All this tension back and forth, it's just the beauty of the ride / So let it build, let it explode, leaving blood and shattered bone / Or bite your tongue 'til you've forgotten what to say / And take another step back until you find you've walked away.

Do mesmo Lou Barlow que está por detrás deste álbum, um dia deixei aqui isto.

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Julian Chivite — Gran Feudo, Viñas Viejas, Reserva '2006

O blog ainda não morreu; adiante.

O vinho, Navarro de Cintruenigo, teve origem em uvas de Tempranillo e Garnacha de vinhas plantadas entre 1940 e 1960. Foi engarrafado após, pelo menos, diz o produtor, 18 meses de estágio em barricas de carvalho francês e americano.

É um vinho bem fresco. Que, contudo, não esperava encontrar tão leve, talvez em virtude dos seus predicados, memórias pouco precisas e a leitura do contra-rótulo, talvez pelo ataque onde, por muito tempo, só consegui perceber madurez.

E que não é só isto. Tem evolução, certo funk, pêlo, musk, e especiarias. E o sabor, tão como o nariz.

Gosto do género. Mas esperava, e sem dúvida que teria preferido encontrar, algo mais macio e carnudo, com mais substância.

10€.

15,5

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

NOTHING IS SACRED. Doubt — in everything — is absolutely essential. Everything, no matter how great, how fundamental, how beautiful, or important it is, must be questioned.

It's only when people believe that their beliefs are above questioning, that their beliefs alone are beyond all doubt, that they can be as truly horrible as we all know they can be. Belief is the force behind every evil mankind has ever done. You can't find one truly evil act in human history that was not based on belief — and the stronger their belief, the more evil human beings can be.

Here's one of my beliefs: Everything is sacred. Every blade of grass, every cockroach, every speck of dust, every flower, every pool of mud outside a graffiti-splattered warehouse is God. Everything is a worthy object of worship. If you can't bow down before that putrefying roadkill on I-76, you have no business worshiping leatherbound tomes and marble icons surrounded by stained glass.

And here's one more: Everything is profane. "Saving the planet" is a waste of time and preserving the environment is a waste of energy. Flowers stink and birdsong is irritating noise.

On the other hand, nothing is sacred and nothing is profane. Not even your sorry ass. If we hold anything sacred above anything else — ever — we're riding along in the fast-lane to hell. And by "anything" I mean anything — our family, our friends, our country, our God. We cannot hold any of that stuff any more sacred than anything else we encounter in our lives or we're doomed. I'm not just going for dramatic elocution here. The act of regarding anything at all as more worthy of respect than anything else is the first step down the short and slippery path to the utter annihilation of all mankind.

And what happens if we follow that dangerous path to the end? We've had numerous hints that ought to give us a clue. They linger darkly on in our collective memories: the assassinations of Martin Luther King Jr. and John F. Kennedy, the bombing of Pearl Harbor, the atomic bombings of Hiroshima and Nagasaki, the Final Solution, "9-11". We might even be able to rattle off the dates of these awful events — but the lesson, we haven't yet absorbed. And until we really learn it, kids will keep getting new dates to memorize for history class.

When you hold something sacred, you try to hold that thing apart from the rest of the universe. But this really can't be done. Nothing can be separated from everything else. Red is only red because it's not green or yellow or blue. Heavy metal is heavy metal because it's not polka or barbershop. Nothing in the universe has any inherent existence apart from everything else. Good is only good when contrasted with evil. You are only you because you’re not everyone else. But this kind of separateness isn't really how the universe works.

You cannot possibly honor God if you can't honor every last one of God's manifestations. Killing someone in God's name is ridiculous. If we do that, we are killing God and killing truth.

But what is truth? What is God? How can you see, hear, smell, taste, touch, these lofty ideas?

Truth screams at you from billboard cigarette ads. God sings to you in Muzak® versions of Barry Manilow songs. Truth announces itself when you kick away a discarded bottle of Colt 45 Malt Liquor. Truth rains on you from the sky above, and God forms in puddles at your feet. You eat God and excrete truth four hours later. Take a whiff — what a lovely fragrance the truth has! Truth is reality itself. God is reality itself. Enlightenment, by the way, is reality itself. And here it is.

Brad Warner,
Hardcore Zen: Punk Rock, Monster Movies and the Truth About Reality,
Wisdom Publications, Boston, 1994.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Prazo de Roriz '2009

Produzido com uvas das Quintas da Perdiz e de Roriz, foi engarrafado em Março de 2011.

Intenso como se espera de um bom Douro, com notória componente etérea no nariz e muitas notas de fruta. Tem amora silvestre e cereja, toque especiado, talvez alcatrão — barrica.

Barrica que não achei excessiva. Neste momento está muito composto, a forma como enche a boca, como se sente na língua. E terá, certamente, algum potencial de envelhecimento.

Com um aromático javali estufado, com zimbro, proporcionou momentos quase extraordinários. A acompanhar pão e Brie, nem por isso. Mea culpa.

9€.

16

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

domingo, 29 de dezembro de 2013

Herdade do Portocarro '2009

Este vinho também tem a fruta escura e evoluída e as folhas de tabaco e eucalipto secas ao sol que encontrei no do post anterior. No entanto, é completamente diferente, robusto, com fruta carregada em destaque e um cheiro característico, que costumo encontrar em tintos que na sua elaboração de alguma forma passaram tempo em vasilhas de madeira de grande capacidade.

Sugestão, talvez, porque este é um vinho cujos predicados conheço. Terá também sido por sugestão que a dada altura me pareceu que de facto levava Alfrocheiro? Não foi pelas flores que lá fui, que não abundam. Nem pela estrutura bem definida, de acidez e taninos firmes, bons. O vegetal seco, a forma como me pareceu vincado o carácter escuro da fruta, possíveis pistas.

Foi obtido a partir das castas Aragonês, Alfrocheiro e Cabernet Sauvignon, com fermentação em balseiros e posterior estágio (um ano) em barricas de carvalho francês. O produtor é José A.L. da Mota Capitão, com enologia de Paulo Laureano. A edição de 2007 marcou presença nestas páginas.

8€.

16,5

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Vanessa Daou — Make You Love

Gosto da Vanessa Daou e acho estranho que não seja mais popular. Talvez lhe falte imediatismo, talvez seja demasiado polida para as massas.



Este álbum é de 2000. Às vezes dou por mim a pensar que a electrónica que gosto de ouvir é toda mais ou menos desta altura. Ou melhor, que poucas coisas do género posteriores a, digamos, 2005 ou 2006 me agradam minimamente.

Mas suspeito que o mundo não tenha realmente deixado de produzir electrónica fixe há meia dúzia de anos atrás. Talvez o tempo de algumas dessas coisas, as certas para mim, ainda não tenha chegado.

Ou então isto sou eu a entrar na idade a partir da qual a maior parte de nós começa a ficar sem paciência para conhecer músicas novas. O que, se for o caso, é uma merda, e nem dói.

O áudio é da faixa nº 6, Love child, Mona Lisa smile / Stranger than a summer snow / Love child will drive you wild / Then she'll get up and go.

sábado, 21 de dezembro de 2013

Sino da Romaneira '2010

É o segundo vinho da Quinta da Romaneira, de Cotas, Alijó. As castas são Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz e Tinto Cão, cepas com cerca de 25 anos. Foi engarrafado em Junho de 2012, após 14 meses de maturação em barrica.

Vertido directamente da garrafa, não precisou de tempo no copo para confirmar o que já tinha lido sobre ele, tinto fresco, delgado por opção, com uns toques de especiaria a transmitirem interesse adicional às flores e frutos negros da praxe — merece destaque o retrato da ginja.

Foi, aliás, nas especiarias que lhe encontrei maior interesse, riqueza que não sendo ímpar na gama em que ele se insere, não deixa por isso de estar muito bem. As passas, também de figo, o louro, o eucalipto, a folha de tabaco. Ligeiro, disponível, mas maduro. Coisa fina.

Pareceu-me ainda, a dada altura, que sugeria marmelada (de marmelo) com nozes, mas isso talvez já tenha sido, acima de tudo, filme meu.

10€.

16

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Estou a voltar àquela fase em que pouco me apetece fazer para além de ver programas de computador jogar xadrez entre si. Acontece todos os anos. O último torneio que iniciei tem proporcionado alguns jogos bons, dos quais aqui deixo dois, mais que por não me ocorrer melhor assunto para um post, porque realmente traduzem aquilo que tenho andado a fazer nestes últimos dias.

[Event ""]
[White "Zap!Chess Zanzibar"]
[Black "Cheng4 0.35"]
[Site ""]
[Round ""]
[Annotator ""]
[Result "1-0"]
[Date ""]
[PlyCount "89"]

1. c4 e5 2. g3 Nf6 3. Bg2 Nc6 4. Nc3 Bb4 5. Nd5 Bc5 6. e3 0-0 7. Ne2 Re8 8. 0-0 Nxd5 9. cxd5 Ne7 10. d4 exd4 11. Nxd4 c6 12. Nb3 Bb6 13. d6 Ng6 14. Bd2 Qf6 15. Bc3 Qe6 16. a4 a5 17. Rc1 Rd8 18. f4 Nf8 19. Kh1 Qh6 20. e4 Re8 21. e5 Ra6 22. Qf3 Qe6 23. Nd2 Qf5 24. Nc4 Ba7 25. Qe2 Bc5 26. Nxa5 b6 27. Nc4 Rxa4 28. b3 Ra7 29. b4 b5 30. bxc5 bxc4 31. Be4 Qh3 32. f5 Bb7 33. Rf4 Qh6 34. Rb1 Ra3 35. Rh4 Qg5 36. Rg4 Qh6 37. Bd2 Ra2 38. Bxh6 Rxe2 39. Rxg7+ Kh8 40. Rg4 Rxe4 41. Rxe4 Ba6 42. Rg4 Bc8 43. e6 dxe6 44. Bg7+ Kg8 45. Be5+ 1-0

[Event ""]
[White "Shredder 8"]
[Black "Frenzee 3.5.19"]
[Site ""]
[Round ""]
[Annotator ""]
[Result "1-0"]
[Date ""]
[PlyCount "79"]

1. d4 d5 2. c4 c6 3. Nc3 Nf6 4. Nf3 dxc4 5. a4 Bf5 6. e3 e6 7. Bxc4 Bb4 8. 0-0 Nbd7 9. Qe2 Bg6 10. e4 Bxc3 11. bxc3 Nxe4 12. Ba3 Nb6 13. Bb3 Nxc3 14. Qb2 Ne4 15. a5 Nd7 16. a6 bxa6 17. Rac1 Qb6 18. Rfe1 Rb8 19. Re3 Kd8 20. Qa1 a5 21. Ba4 Nef6 22. Rb3 Qxb3 23. Bxb3 Rxb3 24. d5 exd5 25. Nd4 Rb6 26. Nxc6+ Kc8 27. Bd6 Kb7 28. Nxa5+ Ka8 29. Nc6 Rb7 30. Qa6 Rc8 31. Ra1 Rxc6 32. Qxc6 Bd3 33. Qc8+ Nb8 34. Be5 Bb5 35. Qd8 Bd7 36. Qf8 Be6 37. Qxg7 Nfd7 38. Bxb8 Nxb8 39. Qxh7 Nd7 40. h4 1-0