terça-feira, 23 de setembro de 2014

Lancers — Espumante Bruto

A marca, uma das principais da José Maria da Fonseca, dispensa apresentações. Este espumante com 11% de volume e 10,9 g/l de açúcar parte de um branco vinificado em bica aberta, das castas Malvasia Fina e Arinto, que é depois espumantizado pelo método dito contínuo, em cujo decurso a segunda fermentação alcoólica se vai operando na passagem do vinho de um para os vários depósitos seguintes, numa série de cubas integradas, com controlo de pressão e temperatura.

Um vinho tecnológico, que tem de se ir produzindo em quantidade, face às exigências de um mercado que dizem em expansão, e que bebi sem cerimónia, em noite de futebol na TV. Não o conhecia e não alimentava grandes expectativas em relação a ele, confesso que por preconceito, mas não comprometeu. É um espumante simples e correcto, agradável de beber. Tem bolhas finas e regulares que formam uma mousse aceitável, aromas bastante limpos e alegres, de pendor tropical, e sabor bem seco. De comer, lembro-me que havia um sushi de salmão fumado (e isso) com que não ligou nada mal.

A garrafa foi oferecida pelo produtor, que recomenda um PVP de 4,99€.

15

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Massive Attack — Mezzanine

Lançado em Abril de 1998, foi o terceiro álbum de estúdio da banda.

Sem grande coisa que me ocorra dizer sobre ele agora, deixo aqui a sua 10ª faixa, aquela que recentemente me fez voltar a ouvi-lo com alguma regularidade, depois de vários anos.


Canta Liz Fraser, que antes pertenceu aos Cocteau Twins.

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Contra a Corrente '2008

Castelão, Tinto Cão e Cabernet Sauvignon, produzido e engarrafado pela casa Campolargo. Tem-me mostrado a experiência que considerar os predicados de um vinho não faz assim tanta diferença quando chega a hora de o beber, até porque, mesmo na era das certificações, a menos que se seja dos poucos que tenha tido a oportunidade de ver a coisa nascer, ter presentes os dizeres de uma ficha técnica é, acima de tudo, um exercício de confiança. E se, por enquanto, ainda acho que prefiro saber (ou julgar que sei) alguma coisa sobre aquilo que vou bebendo, fica o apelo aos produtores: quando inventarem no contra-rótulo, jurem a pés juntos que não o fazem, e por favor, inventem bonito.

Também aquilo a que um vinho me parece saber ou cheirar importa cada vez menos, sobretudo neste acto de partilha que é o blog. Mas este vinha carregado de groselha e baga de sabugueiro, impossível não reparar. É um vinho que possui aquela robustez verde típica da Bairrada, de tons vegetais, taninos presentes e acidez assertiva (e mais, tivera eu habilidade suficiente para a trazer para aqui) mas que não assoberba o seu parceiro à mesa. E foi o primeiro Bairrada com Castelão que me mostrou, de caras, qualquer coisa da casta. Louvado seja, portanto, por dizer tanto, tendo tão pouco escrito.

8€.

16

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Álvaro Castro '2009

Do Dão, lote de Alfrocheiro, Touriga Nacional e Tinta Roriz, com estágio em madeira usada, é um tinto de volume mediano e intensidade interessante, com boas sugestões de baunilha e frutos do bosque.

Na noite em que o abri, apontei no caderninho que "o foco está na fruta e o veículo é a acidez", e noto pela letra que até o escrevi com algum entusiasmo, mas, pensando bem, tal observação pouco poderá trazer a um conjunto de notas sobre este ou qualquer outro vinho, dado que, mais que o resultado de uma receita habitual, acaba por ser uma daquelas generalidades vagas que é possível dizer sobre a vida e estão sempre bem.

Pareceu-me melhor, mais sério, no dia seguinte, não sei até que ponto por sugestão; no entanto, nem imediatamente depois de aberto lhe apanhei qualquer travo doce relevante.

Resumindo, não está mal, mas gostei menos dele que da maioria dos seus predecessores recentes.

6€.

15, talvez.

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Mais um post que facilmente poderá ser interpretado por quem não me conhecer como mais um elemento para fazer volume, ocupar o vazio de conteúdo. Mas não. Prezo muito os meus torneios com motores de xadrez antigos. Na maioria das vezes ficam a jogar sozinhos, mas se não existir interface que suporte ambos os intervenientes numa das partidas, é necessária intervenção humana e eu tenho paciência para isso. A S odeia :) Seleccionei estes três de um lote de jogos recentes, de 30 minutos para cada lado, na máquina i5. Tempos e avaliações, apaguei: isto é para ser mais lúdico que didáctico.

[Event "?"]
[Site "?"]
[Date "????.??.??"]
[Round "?"]
[White "M Chess Pro 8"]
[Black "Ferret 1.00"]
[Result "*"]
[PlyCount "112"]

1. d4 Nf6 2. c4 e6 3. Nc3 Bb4 4. e3 O-O 5. Bd3 c5 6. a3 Bxc3+ 7. bxc3 Nc6 8.
Ne2 d6 9. O-O e5 10. Rb1 e4 11. Bc2 b6 12. Ng3 Bg4 13. Qd2 Re8 14. h3 Bd7 15.
Rd1 Na5 16. dxc5 dxc5 17. Nxe4 Nxe4 18. Bxe4 Rxe4 19. Qxd7 Qxd7 20. Rxd7 Kf8
21. f3 Ree8 22. Kf2 Red8 23. Rxd8+ Rxd8 24. Ke2 Nxc4 25. g4 f6 26. a4 g5 27. f4
Kg7 28. e4 Kg6 29. f5+ Kf7 30. Be3 Nxe3 31. Kxe3 c4 32. e5 fxe5 33. Ke4 Rd3 34.
a5 Rxc3 35. axb6 axb6 36. Rxb6 Rxh3 37. Rb7+ Kf6 38. Rb6+ Ke7 39. Kxe5 Re3+ 40.
Kd5 c3 41. Rc6 Rd3+ 42. Ke5 h6 43. Rc7+ Kd8 44. Rc4 Kd7 45. Kf6 Rd6+ 46. Kg7
Rc6 47. Rxc6 Kxc6 48. f6 c2 49. f7 c1=Q 50. f8=Q Qf4 51. Qc8+ Kd6 52. Kxh6 Qf6+
53. Kh5 Ke7 54. Qg8 Qf7+ 55. Qg6 Qxg6+ 56. Kxg6 Kf8 {Ferret, do
norte-americano Bruce Moreland, nunca deixou de ser privado. Mas um dos
colaboradores do autor nos testes roeu a corda e anda pelo menos uma versão
antiga — 1.00 (258) de 4/10/1995 — na internet. Outro dos melhores dos
anos 90 era o M-Chess Pro do também norte-americano Marty Hirsch. Ambos os
programas têm interface próprio e livro de aberturas, e ambos correm em Win7
sem recurso à DOSBox ou a qualquer outro tipo de emulador, mas nenhum deles
é fácil de incluir em torneios automatizados, apesar dos rumores de que
Ferret suporta o protocolo Winboard 1.} 1-0


[Event "?"]
[Site "?"]
[Date "????.??.??"]
[Round "?"]
[White "Shredder 6.02"]
[Black "Diep 2.0"]
[Result "*"]
[PlyCount "76"]

1. c4 Nf6 2. d4 g6 3. Nc3 d5 4. Bf4 Bg7 5. e3 c5 6. dxc5 Qa5 7. Qa4+ Qxa4 8.
Nxa4 Ne4 9. cxd5 Bd7 10. f3 Bxa4 11. fxe4 Bxb2 12. Rb1 Bc3+ 13. Kf2 Nd7 14. Rc1
Nxc5 15. Rxc3 Nxe4+ 16. Ke1 Nxc3 17. Be5 Nxd5 18. Bxh8 Nxe3 19. Ba1 Rd8 20. Bh8
Rd1+ 21. Kf2 Nxf1 22. Nf3 Ne3 23. Re1 Rxe1 24. Nxe1 Nd1+ 25. Kf3 f6 26. Bg7
Bc6+ 27. Ke2 Nc3+ 28. Kd2 Nxa2 29. Bh6 b5 30. Be3 a5 31. g4 b4 32. Nd3 a4 33.
Bc5 b3 34. Nb2 h5 35. gxh5 gxh5 36. Nd3 Kf7 37. Nb4 Nxb4 38. Bxb4 e5 {Shredder
6.02 é baseado na versão do programa que venceu o torneio IPCCC, Paderborn
'2002. Uma estrela na altura e ainda hoje perfeitamente capaz de trucidar
praticamente qualquer pessoa que jogue contra ele, tem o condão de,
pontualmente, desencantar lances de uma fealdade arrepiante. Este Diep de
Junho de 2001, versão 2.00, foi dos poucos que o autor disponibilizou
comercialmente antes de tornar o programa privado. Foi seguida uma abordagem
curiosa: em vez de investir na melhor busca possível, o autor trabalhou
essencialmente a avaliação, o que faz com que o motor, por vezes, demore
vários segundos a responder a uma jogada sem deixar uma "profundidade = 1",
mas o faça bem! E se por vezes é ultrapassado tacticamente, não diria que
é fraco.} 1-0


[Event "?"]
[Site "?"]
[Date "????.??.??"]
[Round "?"]
[White "Gambit Tiger 2.0"]
[Black "Rebel Century 4"]
[Result "*"]
[PlyCount "78"]

1. e4 e5 2. f4 Bc5 3. Nf3 d6 4. Nc3 Nf6 5. Bc4 exf4 6. d4 Bb4 7. Qd3 Bxc3+ 8.
bxc3 Nh5 9. O-O O-O 10. e5 g6 11. Ba3 Re8 12. Rab1 d5 13. Bb3 a5 14. Ba4 c6 15.
Bd6 b5 16. Bb3 a4 17. Bxd5 Bf5 18. Qd2 cxd5 19. Rxb5 Nd7 20. Rfb1 Ndf6 21. Rb8
Qd7 22. R8b7 Ne4 23. Qd1 Qc6 24. Rc7 Qa6 25. Bb4 Ng7 26. Qf1 Qxf1+ 27. Rxf1
Rec8 28. Rb7 Nxc3 29. Ng5 Ne2+ 30. Kh1 Rab8 31. Rxb8 Rxb8 32. c3 Rc8 33. a3
Nxc3 34. Rc1 Ne2 35. Rc5 Rxc5 36. dxc5 Ne6 37. Nxe6 Bxe6 38. c6 Nd4 39. c7 Nb5
{Gambit Tiger 2, versão mais agressiva do programa Chess Tiger 14, era outro
dos melhores disponíveis no princípio da década passada. A dada altura,
surgiu certo hype em redor do seu estilo especulativo, mas eu, que o conheço
há muito tempo, não obstante a sua inquestionável força, não o vejo como
fonte segura de jogos vistosos (coisa que Diep é, por exemplo). Lançado no
ano 2000, Rebel Century 4 é outro histórico destas lides — evolução do
programa que derrotou Anand num match, em 1998 — e foi disponibilizado pelo
produtor para download, junto com outras coisas boas, no site do "Dutch Rebel".
} 1-0

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Lustau — La Ina, Fino

Aberto para ser consumido com ovos, enfrentou mais tarde fiambre e outra carne fria fatiada qualquer de cujo nome não me recordo, uma vilania espanhola com cabeça de porco e gelatina, mas mesmo assim sobrou e o resto da garrafa acabou por ir sozinho.

É um vinho com 15% de álcool, que se bebe frio. Domina toda a passagem pela boca uma secura vincada, que mesmo assim deixa perceber muitos frutos secos, o mar, azeitonas e casca de laranja cristalizada. E apontei mais, mas depois de ler a última linha não consigo deixar de me questionar, pese a riqueza das coisas sugeridas, se não estaria a fazer filmes.

Aqui, o equilíbrio percebe-se de maneira diferente de noutro branco qualquer, mesmo que naqueles ditos com alma de tinto, mas existe. Os aromas são impecavelmente limpos, fáceis de perceber. Apesar do teor alcoólico, não aparece nada de adocicado ou pegajoso, mesmo com o passar do tempo no copo, e o pós gosto é surpreendentemente suave, de amargor quase medicinal.

A omelete, de ovos caseiros, também levou peito de frango de churrasco, cebolinho, salsa e um pouco de pimentão agridoce. Foi preparada segundo o método que aprendi com uma chinesa do Youtube, através da S, que tem como pontos-chave untar a frigideira com o mínimo de gordura possível e terminar a cocção de lume apagado, com o testo.

7€.

17

sábado, 9 de agosto de 2014

Vinha Val dos Alhos '2011

Deixar registado o filme já não é importante e menos ainda tentar ser útil, mas continuo, pontualmente, a ter vontade de escrever. Ajudou a um desses momentos de motivação este vinho de Horácio dos Reis Simões, Castelão de cepas com 75 anos impantadas nas areias de Palmela. O que me saiu na altura, bastante sumário, deixou-me no entanto satisfeito o suficiente para decidir que pode ser partilhado.

Ora, após uma primeira impressão isolada na página, em letra maior — escuro — uma amálgama de palavras só por si sem grande sentido, de onde consegui cortar primeiro acidez e fruta, o ataque talvez excessivo, depois cacau, tabaco, fumo — cenas pesadas — e há um travo doce que chama a atenção — rebuçado, caramelo — caramelo e não só — coisas doces de flores — alcaçuz, lavanda, menta? — flores secas.

Em jeito de p.s., o reparo de que não foi bebido até ao fim.

5€.

14,5

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Marston's - Strong Pale Ale

English strong ale produzida por Marston's PLC.

Bebida bem fresca de uma taça de Duvel, mostrou-se grande e forte, com notas de lúpulo e álcool (6,2%) bem presentes. Não obstante a doçura desacertada e a capa algo fugaz, não pude deixar de reparar (e gostar) do aconchego que trouxe ao frescor da noite.

Winter warmer sem especiaria, é uma curiosidade que vale a pena conhecer. Acompanhou arroz de javali com chouriço de Barrancos. 2,50€/50cl.

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Castelo Rodrigo — Touriga Nacional '2010

Não obstante estar a publicar os posts em diferido, tenho procurado manter uma certa verdade cronológica nos vinhos, nos jogos, no ocasional apontamento sobre a vida. Julgo que isto aconteça em consequência de uma predisposição de que recentemente me apercebi, e que antes não me era natural, com certeza, de levar o caderno das provas a eito quando, de semana a semana ou mais, em vez de um jogo de scrabble no telemóvel ou outra coisa qualquer, venho ver o blog.

Bebi este vinho há tempos, mais ou menos na data a que está vinculado o post. É um monocasta Touriga Nacional da Coop. de Figueira de Castelo Rodrigo, garrafa nº 8175 de 29630 produzidas. Com quase quatro anos, está um tinto maduro. Ainda se bebe bem, mas já lhe falta o brilho que tinha quando o conheci. E em contrapartida, nada. Fruta negra ao sol, apenas, foi o que lhe encontrei. Tenho tido melhores experiências com vinhos desta casa.

5€.

14,5