sábado, 6 de dezembro de 2014

Adega de Penalva — Touriga Nacional '2008

Nem sempre foi assim, mas agora acredito que quanto mais específica a nota de prova, menos útil. Por honesta que seja a intenção, a volatilidade da experiência sensorial e a barreira da linguagem não perdoam. Tanto o vinho como quem o bebe mudam com o tempo e outras circunstâncias. Então, anotar apenas os traços gerais do carácter de um vinho não se limita a ser mais fácil, mas também mais seguro. Que maravilha, a forma mais fácil de fazer algo ser também a mais útil e a mais correcta! Merecerá a experiência.

O vinho de hoje, topo de gama de uma cooperativa do Dão, puro Touriga Nacional com um ano de estágio em barrica. Escuro, robusto, carnudo, tem acidez e densidade suficientes para acompanhar qualquer prato, mesmo daqueles vis, de engorda. A fruta vem com mais garra que brilho, talvez por isso tenham sido outras coisas que mostrou a apelar-me: menta  bergamota  alcaçuz  louro  zimbro  sabão de Marselha. A rever daqui a dois anos, se se proporcionar. No fim, a ideia de que o que queria dizer estar presente, mas não se parecer mesmo nada com o esperado. Talvez esse seja outro problema, esperar coisas à partida para uma experiência.

8€.

16

domingo, 30 de novembro de 2014

Casa de Santar — Reserva '2011 (Branco)

Com origem nas castas Encruzado, Cerceal e Bical, fermentou em barricas de carvalho francês.

Fresco, trouxe consigo flores silvestres, frutos de polpa branca e notas de barrica que me pareceram bastante interessantes, umas vezes a fazer lembrar tostados, outras, madeiras perfumadas, exóticas.

De toda uma presença bem precisa e equilibrada, a que algo mais de brilho ou complexidade tornaria justamente elegante, foi o toque na boca, a textura, a untuosidade, discreta mas muito agradável, que me prendeu mais a atenção.

Mas o haxixe cria o exagero não apenas do indivíduo, mas também da circunstância e do meio, há observações que se devem tomar com um grão de sal. Enfim, talvez ainda valha a pena dar aos exemplares por abrir mais algum tempo de guarda.

10€.

16

domingo, 16 de novembro de 2014

Frei João — Reserva '2011 (Branco)

O sítio do produtor na internet diz que foi feito a partir das castas Bical, Cerceal e Maria Gomes; o contra-rótulo junta-lhes 25% de Chardonnay.

Ora, pude bebê-lo com toda a calma, e embora tenha ficado com essa ideia, não consigo dizer com certeza se levou, ou não, Chardonnay. Que vergonha.

Mas de que está um vinho muito mineral e fresco, persistentemente limonado, não tenho dúvidas. Animal de força considerável, pese que não seja gordo, recordou-me, por momentos, este Luís Pato VV, pesem as devidas diferenças, que são muitas e entre as quais se conta ter passado por madeira.

7€.

16

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Domingos Soares Franco, Colecção Privada — Moscatel Roxo '2013

Flores e líchias no nariz, arranjo alegre. Na boca, toque macio e sabores secos, sem qualquer austeridade. Este último que bebi pareceu-me tão jovial quanto, creio, tal seja possível num vinho sério.

Não é um rosé como a maioria dos outros que conheci, não parece tinto desnaturado em doce. Tem coisas de branco vistoso. Bem sei que já escrevi algo do género a respeito de um antecessor seu, mas é assim mesmo que entendo estes vinhos, que são deliciosos e não têm diferido muito de colheita para colheita.

Ainda jovem — e não existirá qualquer vantagem em deixá-lo envelhecer — ligou bastante bem com sanduíches de salmão fumado e queijo creme.

PVP recomendado: 9,90€.

16,5

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Quinta do Vallado — Tawny 10 Anos

É macio, delicado, tem sabor vivo e cheira muito bem. Mostra mais nozes que passas, ou melhor, fruta seca, e caramelo e bolo inglês também. Escrever sobre Porto, sobretudo tawny, é complicado, pelo menos para mim. Apesar das diferenças de estilo, a origem e método de preparação levam a que, de nariz mais ou menos alcoolizado, todos cheirem a passas e frutos secos. Então os descritores, os nomes, perdem ainda mais significado. O facto de uma nota de prova servir para pouco mais que ajudar a associar determinado vinho a um estilo, para além de transmitir se o provador gostou, torna-se evidente. Então, mesmo para algo tão simples como aferir se um determinado tawny é bom, só a experiência. É preciso conhecer estes vinhos, experimentar vários, muitos, e ir pensando em porque é que os preferidos o são. Ora, considerando os que conheço, este pareceu-me dos bons.

Acompanhou fatias de uma trança que fizemos cá em casa, para comer com manteiga, que leva 500g de farinha T65 e 250ml de leite morno, 80ml de óleo, 85g de açúcar amarelo, 2 colheres, das de sopa, de mel, igual quantidade de boa aguardente vínica, 1 colher, de sopa, de canela, a raspa de uma laranja ou limão, 2/3 de colher, de chá, de sal e 12g de fermento de padeiro, fresco. Mistura-se tudo na máquina de fazer pão, pela ordem habitual. Dá-se à massa resultante a forma de uma trança e deixa-se crescer mais um pouco, mais ou menos 40 minutos, no forno, a 60ºC ou menos. Por fim, põe-se açúcar amarelo nas reentrâncias da trança, junto com umas nozes de manteiga, e leva-se ao forno, previamente aquecido a 200ºC, meia hora.

15€.

16,5

domingo, 19 de outubro de 2014

Marqués de Riscal — Limousin '2011

Este Verdejo de Rueda, de cepas com mais de 40 anos, plantadas em altitude, fermentou e estagiou sur lie, durante seis meses, em barricas de Allier.

Foi transferido para um decantador antes trazido para a mesa, coisa ainda um pouco unusual em brancos, que no entanto costuma resultar bem com vinhos mais encorpados, capazes de envelhecer em garrafa. Abrem, ficam mais expressivos, e muitas vezes, mais limpos também.

No nariz, primeiro madeira, muito perfumada, a fazer lembrar cedro, baunilha, resinas, café e frutos secos. Depois maracujá e ervas aromáticas, pedra, humidade, mais café, mais baunilha, um certo fundo apimentado que se percebe melhor depois de levado o vinho à boca.

É um branco grande, com 14% de teor alcoólico e estrutura a condizer, que surpreende de tão fresco. Acompanhou chao nian gao preparado mais ou menos assim, modesta comemoração doméstica justificada pelo facto de termos descoberto uma mercearia chinesa nova a funcionar na baixa.

12€.

17

sábado, 11 de outubro de 2014

domingo, 5 de outubro de 2014

Quinta de Camarate — Branco Seco '2013

Composto por Alvarinho e Verdelho em partes iguais, este branco, vinificado pelo processo dito de bica aberta, a temperatura controlada, foi engarrafado, sem estágio, em Fevereiro deste ano — ficha técnica aqui. Tal como o seu predecessor imediato, é um vinho simples mas preciso, de porte mediano e recorte sóbrio, que, com pouco mais de meio ano de garrafa, aparece rico em tons herbáceos e de flores e frutos brancos, a evidenciar boa firmeza e uma acidez que limpa a boca.

Ou seja, o par perfeito para praticamente qualquer prato de queijos. E aí, gostei mais dele com Rabaçal e Esrom que com o Azeitão que, seguramente por associação de ideias, lhe sentia mais próximo.

A garrafa foi oferecida pelo produtor, que recomenda um PVP de 6,80€.

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terça-feira, 23 de setembro de 2014

Lancers — Espumante Bruto

A marca, uma das principais da José Maria da Fonseca, dispensa apresentações. Este espumante com 11% de volume e 10,9 g/l de açúcar parte de um branco vinificado em bica aberta, das castas Malvasia Fina e Arinto, que é depois espumantizado pelo método dito contínuo, em cujo decurso a segunda fermentação alcoólica se vai operando na passagem do vinho de um para os vários depósitos seguintes, numa série de cubas integradas, com controlo de pressão e temperatura.

Um vinho tecnológico, que tem de se ir produzindo em quantidade, face às exigências de um mercado que dizem em expansão, e que bebi sem cerimónia, em noite de futebol na TV. Não o conhecia e não alimentava grandes expectativas em relação a ele, confesso que por preconceito, mas não comprometeu. É um espumante simples e correcto, agradável de beber. Tem bolhas finas e regulares que formam uma mousse aceitável, aromas bastante limpos e alegres, de pendor tropical, e sabor bem seco. De comer, lembro-me que havia um sushi de salmão fumado (e isso) com que não ligou nada mal.

A garrafa foi oferecida pelo produtor, que recomenda um PVP de 4,99€.

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